Santo André, * *

Sobrecarga e adoecimento: Agentes de Inclusão Escolar de Santo André cobram jornada de 30 horas e infraestrutura adequada
A excessiva proporção de alunos por profissional e a falta de recursos básicos colocam em xeque a qualidade da educação inclusiva no município.

Por: Viviane Barbosa, da Redação do Sindserv Santo André
Publicação: 04/08/2026

Imagem de Sobrecarga e adoecimento: Agentes de Inclusão Escolar de Santo André cobram jornada de 30 horas e infraestrutura adequada

capa episódio

Os Agentes de Inclusão Escolar (AIEs) da rede municipal de Santo André enfrentam uma rotina marcada pela sobrecarga de trabalho, adoecimento físico e mental, e falta de infraestrutura básica nas unidades de ensino. Diante do aumento expressivo da demanda de crianças da educação especial e do déficit de profissionais, a categoria, representada pelo Sindserv Santo André, reivindica a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, a abertura de novos concursos públicos e a estruturação de um plano de carreira que valorize a função.
 
O tema foi destaque no recente episódio do PODCAST do Sindserv Santo André, conduzido pela diretora sindical Daisy Dias. O entrevistado foi Robson de Toledo Pereira, servidor concursado que exerce o cargo de AIE há 13 anos. Durante o bate-papo, Robson evidenciou o contraste dramático entre o início de sua trajetória e a realidade atual nas escolas. 

Segundo o trabalhador, que ingressou logo no primeiro concurso para o cargo, havia maior suporte no passado, com formações mensais e uma quantidade de alunos que permitia um atendimento individualizado e verdadeiramente inclusivo. Hoje, a proporção chegou a níveis insustentáveis: há escolas com listas de 40 a 50 crianças de inclusão sob a responsabilidade de apenas um a três agentes. 

O impacto da sobrecarga na saúde do trabalhador
A carga horária de 40 horas semanais, sem intervalos adequados entre os atendimentos ou salas de descompressão, tem sido o principal estopim para o adoecimento da categoria. A rotina exaustiva cobra um preço alto da saúde dos servidores. 

"Nossa cabeça não acompanha. Eu mesmo, em 2018 e 2019, tive que passar pelo psiquiatra e hoje tomo medicação controlada."— Robson de Toledo Pereira, AIE 

O estresse e a ansiedade resultam em um alto índice de afastamentos médicos, o que diminui ainda mais o quadro de funcionários nas escolas e afeta diretamente a qualidade do acolhimento aos alunos, criando um ciclo de precarização contínua.
 
Falta de estrutura básica e rotatividade
Além da escassez de recursos humanos — que o poder público tenta amenizar de forma paliativa com a contratação de estagiários, gerando alta rotatividade por falta de vínculo e sobrecarregando ainda mais os servidores efetivos —, os agentes denunciam a ausência de infraestrutura física e material. 
Muitas unidades escolares não possuem banheiros adaptados, trocadores estruturados adequadamente ou chuveiros. Faltam ambientes como salas de recursos, essenciais para acolher as crianças de forma segura durante momentos de crise emocional. A rotina dos profissionais esbarra, inclusive, na falta periódica de materiais básicos de higiene, como sabonete, álcool, papel, luvas e lenços umedecidos, obrigando os servidores a improvisarem para garantir o bem-estar das crianças. 

A luta é de todos os servidores
Para tentar reverter esse colapso no atendimento, os trabalhadores têm levado suas demandas à Secretaria de Educação e aos gabinetes da Câmara Municipal. A implementação da jornada de 30 horas é considerada a medida mais urgente e justa para frear o adoecimento dos servidores. Em paralelo, a categoria luta pela reclassificação salarial e acompanha de perto a tramitação do Estatuto dos Profissionais da Educação no Senado Federal, que prevê a remuneração de 75% do piso nacional do magistério para a função. 

Como destacou a diretora Daisy Dias durante a entrevista, o objetivo central das mobilizações é garantir que a propaganda de "cidade inclusiva" não fique apenas no papel, mas se torne uma política pública real, estruturada e com investimentos adequados. 

A diretoria do Sindserv Santo André reafirma que a luta em defesa dos AIEs é uma prioridade. Juntos, somos mais fortes na defesa do serviço público e dos nossos direitos.


Assista aqui: 

 




Assessoria de Comunicação e Imprensa -Mídia Consulte Comunicação & Marketing
WhatsApp: 55 + (11) 9+6948-7450
Editora e Assessora de Imprensa: Viviane Barbosa MTB 28121
Assessoria de Tecnologia da Informação e Website: Egberto Lima



 

Mídia

Facebook

Galeria de Fotos

Assembleia da Campanha Salarial 2026 - 06 de abril de 2026